O mesh da inclus?o

O projeto do laptop de 100 dólares pretende usar redes mesh para conex?o á internet.

Laptop de 100 dólares: rede mesh e manivela para uso remoto.

Uma das iniciativas mais grandiosas para o uso de redes mesh é o laptop de 100 dólares. O projeto criado por Nicholas Negroponte, fundador do celebrado Media Lab, do MIT, visa distribuir gratuitamente milh?es de laptop entre crian?as e adolescentes carentes do mundo inteiro. As máquinas teriam uma configura??o bastante enxuta, sem HD e com um mínimo de memória flash, e uma telinha LCD de 7 polegadas. Mas seriam capazes de funcionar mesmo em regi?es afastadas, até sem infra-estrutura elétrica. Na ausência de tomadas, o laptop poderia ser alimentado rodando uma manivela. As redes mesh entram no projeto como uma forma de permitir a conex?o nessas áreas remotas. Um laptop só precisaria conectar - se a outro, montando uma linha que iria até a conex?o efetiva á internet. Para essa conex?o, seria usado um link por celular, segundo Negroponte que afirmou, em apresenta??o recente no Brasil, já estar em contato com operadoras GSM para fornecer um link de alta velocidade a ser compartilhado pelos laptops. Entre os percal?os existente para concretiza??o do projeto, est?o as dificuldades para chegar a protótipos que custem apenas 100 dólares prometidos, a exigência da compra prévia de milh?es de unidades em paises de Terceiro Mundo e o funcionamento efetivo das conex?es pela rede celular, ainda um tanto lentas e caras para transmiss?o de dados nos paises pobres.

A dama do mesh

Dianah Neff, CIO da Filadélfia, conta como será a rede sem fio da cidade.

Quanto custa montar uma rede mesh, hoje?

Nas contas do governo da Filadélfia, nenhum centavo. No projeto capitaneado por Dianah Neff, CIO da cidade, a instala??o e o investimento em infra-estrutura, cerca de 10 milh?es de dólares, v?o sair do bolso do provedor de banda larga Earthilink, que cobrará pelo acesso.

Por que vocês decidiram usar mesh?

De início, n?o definimos a tecnologia. Colocamos num documento o que precisávamos e deixamos que os próprios fornecedores bolassem as propostas. O mesh venceu por sua habilidade de se autoconfigurar e se auto-rotear. E reduz o número de pontos de acesso se comparado ao Wi-Fi.

O mesh ainda é baseado em solu??es proprietárias. Vocês v?o usar as de que fornecedor?

Entre as propostas apresentadas, escolhemos a da Earthilink. Eles usar?o dispositivos mesh da Tropos e equipamentos Canopy, da Motorola. A rede terá 4 mil nós.

Quanto aos moradores v?o pagar pelo acesso?

Cerca de 20 dólares por mês, incluindo tanto o acesso dentro de casa como externo. Teremos uma modalidade de 10 dólares para famílias de baixa renda. Devemos come?ar com 60 mil usuários e chegar a 160 mil em cinco anos.

Houve press?o das Operadoras contra o projeto?

Sim, em novembro de 2004 as empresas de telecom e de cabo conseguiram que o estado da Pensilvania aprovassem uma lei para proibir a participa??o do governo local. Mas conseguimos entrar com um recurso.

O que você diria para as cidades que ainda n?o come?aram a se preparar para era digital?

Numa economia Global e baseada no conhecimento, a tecnologia sem fio será um ingrediente fundamental para o sucesso de uma cidade.

Fonte Revista INFO EXAME, Ano 20, no 237, Dezembro/2005

Disputa sobre banda larga sem fio amea?a direito do usuário, dizem especialistas

A escolha do modelo de negócio para a banda larga sem fio a longa distancia (WiMax), que tem leil?o marcado para esta segunda-feira, dia 4, amea?a prejudicar o interesse do usuário de Internet no Brasil. A avalia??o é de especialistas em comunica??o e defesa do consumidor. Há riscos de concentra??o de mercado porque as companhias telef?nicas, que já detêm cerca de 80% do mercado de Internet por banda larga no país, contestam as restri??es do leil?o e querem participar livremente dele, comprando lotes onde n?o poderiam pelas regras originais.

Segundo os especialistas, essa falta de concorrência poderia gerar pre?os maiores e servi?os n?o t?o eficientes. As telef?nicas se defendem e dizem que querem ter acesso à nova tecnologia sem qualquer restri??o.

O leil?o desperta grande interesse porque se acredita que o futuro das telecomunica??es esteja nas transmiss?es sem fio, um mercado crescente.

O WiMax é um sistema de transmiss?o de dados, voz e imagens em alta velocidade para aparelhos portáteis (laptops, palmtops e celulares) a longa distancia. é diferente do Wi-Fi, que já existe no país e é usado em aeroportos, por exemplo, por causa do alcance maior. O Wi-Fi funciona num raio máximo de 100 m, enquanto o WiMax atinge até 50 km, porque opera em freqüências diferentes (3,5 GHz e 10,5 GHz).

Disputa de empresas

A discuss?o principal está em quais empresas podem participar do leil?o e prestar o servi?o. Pelas regras iniciais do edital da Anatel (Agência Nacional de Telecomunica??es), as companhias telef?nicas teriam restri??es para entrar no jogo. Elas n?o poderiam comprar as freqüências nas regi?es onde já têm concess?o de telefonia fixa. Nas outras localidades do país, as telef?nicas estavam liberadas para concorrer normalmente.

O argumento é que haveria muita concentra??o de mercado. As telef?nicas poderiam monopolizar a comunica??o fixa e a móvel ao mesmo tempo. Somente três empresas de telefonia já detêm cerca de 80% do mercado de Internet por banda larga com fio. Elas fornecem o servi?o por ADSL, os cabos telef?nicos de sua própria infra-estrutura.

Para prevenir esse monopólio, a Anatel divulgou em julho as regras com as restri??es e marcou o leil?o. Mas, no dia 9 de agosto, o Ministério das Comunica??es decidiu tentar suspender tudo.

Depois Hélio Costa come?ou a defender que as teles fixas fossem liberadas para participar do leil?o sem restri??es. "Se você come?a a impor restri??es aqui e ali, você acaba dificultando o procedimento", disse ent?o o ministro. A suspens?o do leil?o, no entanto, n?o aconteceu, porque a Anatel n?o concordou. Diante disso, o ministro Hélio Costa chegou a afirmar que poderia emitir uma portaria para tentar cancelar os efeitos do leil?o, se as teles n?o participassem plenamente.

Uma disputa judicial come?ou nos últimos dias. As companhias de telefonia conseguiram liminar na Justi?a para tentar suspender o leil?o na próxima segunda-feira. A Anatel informou nesta sexta-feira que vai recorrer contra a decis?o. Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, a agência reguladora considera que o edital original é "perfeito", porque evita o monopólio e permite a concorrência.

Segundo a nota, o conselheiro da Anatel Pedro Jaime disse que "o formato da licita??o privilegia um dos pilares do modelo brasileiro de telecomunica??es, a competi??o, já que é uma ótima alternativa aos fios de cobre [de telefone], atualmente exclusivos das concessionárias". Luis Cuza, presidente-executivo da Telcomp (Associa??o Brasileira das Prestadoras de Servi?os de Telecomunica??es Competitivas), diz que a proposta da Anatel favorece o consumidor justamente porque evita a concentra??o. "A solu??o é inteligente e merece todo o apoio."

O advogado Miguel Bechara Junior também considera corretas as restri??es às teles. "é extremamente saudável, porque divide o mercado, evita a concentra??o. Caso contrário, as telef?nicas podem ficar com o monopólio da comunica??o." Segundo Luis Cuza, a falta de mais concorrência na banda larga fixa, dominada pelas teles, já impediu que houvesse um desenvolvimento maior e um servi?o melhor para o usuário.

"A oferta hoje é t?o cara e t?o pobre de velocidade. As companhias já est?o aí há vários anos e n?o melhoraram. Por que n?o? Porque n?o precisam, n?o enfrentam concorrência. A única solu??o é haver novos investidores", diz Cuza. Ele afirma que as teles querem evitar a chegada de novas empresas. Por isso elas poderiam comprar as licen?as, para tentar barrar outros investidores.

Segundo o presidente da Telcomp, a entidade tem empresas associadas em cidades menores. S?o Provedores de Internet que já prestam servi?os com freqüências de uso livre, mas que n?o têm qualidade t?o boa. Com as novas freqüências, essas empresas menores poderiam melhorar e atender o quadro de clientes já existente e ampliá-lo. O Ministério das Comunica??es nega que haja privilégios a empresas. A associa??o que reúne as companhias de telecomunica??es afirma que n?o haverá monopólio.

Fonte UOL
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